quinta-feira, 25 de abril de 2013

Espetáculo (Show) da vida



  Esse mundo anda cheio de "gente", vejam só. Gente a rodo. Alcoviteiros aos montes. Gente que caga regras, aos baldes, mas que na alcova cava a cova de sua cuspida moralidade - descansada em requintado edredom - solapada na bela lápide que é a própria mediocridade.

  E você? é um homem ou um pássaro? Onde está a sua liberdade, aquela que estampava tua pele cálida, flanando ao sabor dos quatro ventos? Que tipo de gente é essa que passa os dias no delicado processo de maquiar a própria putrefação, bem vos digo:

  Somos zumbis. Amando romanticamente a já morta nobreza; louvando o deus morto (e minúsculo) do coletivo de pecadores (a que chamarei aqui "povo"); tentando conter os avanços do grande movimento retilíneo uniformemente variado que é a vida humana na Terra. Mas acima de tudo (e isso é o mais importante)  "vivendo" como analfabetos e "pensando" fora das aspas. Solipsando - se em todo e qualquer parentese.

Histeria e simulacro, os males desse mundo são.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Samba Criollo

 
 
 
 
 

A cerveja com outro gosto ainda é cerveja. Você sem mim ainda sou eu um pouquinho.
 
Mariposas dançam na sala de estar aquele esbaforido minueto: polegar, indicador, médio, anelar. Indicador, Médio, Anelar, indicador. Enquanto isso, crianças derramadas choram no leito quente do asfalto.

Estão atônitas ante o espetáculo do absurdo que é o carrossel apagado de suas tão curtas e amáveis (ainda que não muito fascinantes) alheias vidas. Nuvens passam -  brinquemos, Nuvem! 

Deixemos de lado a angústia, a dor e a certeza da dúvida (benefício? pffff). Por essa noite, pelo menos. A mariposa de sonho vem afinal repousar vadia aqui em meu peito.

 
 
"Aqui, ninguém vai pro céu"

terça-feira, 16 de abril de 2013

Amor goxtoso





Primeiro pense no ser humano, disse ela, depois projete esse ser humano em um território destrutivo, posteriormente monte seu roteiro de destruição, depois disso aguarde pela parte que nos toca, pense no coletivo, disse ela, como meio de vida, ache seus tostões e use-os para sua destruição e a destruição alheia, perverso! disse ela, depois vem a dúvida sobre alma e tendências masoquistas de religião. Da cozinha, com um cigarro em bocadura, vem ela.

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Lata, estarei aqui, sempre por aqui, dentro de você, perdido desde a última tampa, desde o cheiro fino no metal barato, serei seu intestino e coração, sujando e sendo sujo, patriarca desse prazer de ficar a mercê do razoável, com todo esse amor lindo, com todo amor do nosso mundinho fechado, como? Com todo amor, minha linda, com muito, muitíssimo amor.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A novela do Malandro - Cap. 3


                      " ... Só não solte este pum enlatado em meu nariz, pois se sim, nosso amor acabará"


No intestino desta ilha, fredo sentia o vazio que o assolava, vazio este que era comum em sua geração, não por causa do caos ou “caôs”, não por causa do mal que a idade tráz, não por conta do egoísmo hereditário catedrático, mas sim pela dor do que veria com olhos de quase cristão, quase alguém, quase membro, quase irmão, eis que surge confusão, surge falta do que e de quem ser.
Mais uma falta esconde seus versos torpes em rodas de bar, não parece mais daqueles homens inúteis, sem alma... ele está pronto para o vazio.

Aquela personalidade variável, pertencentes aos mais espertos, não encontra a dor em qualquer tempo, essa verdade ainda esta por vir. Fredo, em contra partida, percebe que o caminho a ser tomado sempre se transformará em absolutamente nada. Perto desta celeuma, todavia, distante, na av. Fornecedor, Fredo encontra Amena, com ela ele se sente mais seguro, acariciado sob o seio maternal, imerso em universo sem efeito colateral, digno pra caralho e puro.

Continua...

sábado, 6 de abril de 2013

Câncer


"Baby, I was made to break your heart."

Vencedor - denominação mais que irônica, onde ele mesmo julga ser a prova cabal da existência divina - passou a sua vida inteira sobre as páginas e fez das linhas sua trajetória. Pediu tanto aos céus um amor para sentir a dor que não pudesse lhe caber. A dor sublime dos poetas mais renomados em seus insofismáveis torpores oncológico-passionais.
Numa dessas desventuras que era sair de casa, na sua tendência alcóolica-juvenil-indômita, tendo em vista a fase bukowski-baudelaire-hemingway que passava, tropeçou em seu amor poético encharcado de gim.
Olhou-a nos olhos e soube o que sempre soube querendo entender da vida sem beber das fontes: "Eis aqui meu amor superlativo! Amor do qual vivo, viverei e vivi!"
Mas a sua hipersensibilidade à formulação da própria criatura não o fez enxergar o tamanho caos que era por conceito. Perdeu os sentindos nos moldes de uma cena de filme carregada por violinos (violinos sempre o fascinaram) e um trágico fim onde o que se espera não acontece e o expectador/espectador fica, durante os créditos finais, perplexo e inerte frente a complexidade da absorção do que aconteceu, sem saber o que fazer pelos próximos bons minutos.
Era um ser totalmente desconexo da sua realidade, com o mágico poder que lhe encantava (num teor pejorativo): um egocentrismo subliminar que o fazia achar que era ele quem estava sendo egoísta - lembrando um grande personangem de um livro muito antigo que até hoje é pressuposto criador de todas as coisas.
As propriedades curvilíneas daquele espécime eram como o canto do rouxinol numa manhã forçada por um meteoro maior que a própria terra. Perder-se-ia contando nos dedos os seus predicados. Era poesia mais que completa para Vencedor, com sentimento, embriaguez e devassidão. A cama de solteiro era o que os mantinha na simples falta de espaço de não se esquecer.
Mas, na faculdade do tempo, Eva - assim chamada na mesma linha de raciocínio irônica e existencial do deus - soube da vida comum e dos sonhos sistematizados que a fariam divagar e devagar olvidar tudo o que se viveu. Romances água-com-açucar e cheios de cifrões valiam mais que a própria essência. Feito trama de novela medíocre que nos mantém presos aos acontecimentos.
E ela partiu sem dizer ao Vencedor que viveu tantos outros amores e se arrependeu como um corte de cabelo, tendo a erudição de que o mesmo voltará a crescer.

Assim, a duras penas, caminha seu mais inefável amor, declarado num primeiro de Abril qualquer.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

A novela do malandro - Cap. 2





Em 1910, com sua libido em alta, o contraditório menino não se sentia tao jovem assim, ao contrário do que a ereção perene predizia. Fredo era unilateralmente convicto de suas decisões, funções e desvios.
Passado anos, o mesmo dizia ser filho de humildes fazendeiros, moradores de Iraruana, cidade pacata, vizinha de Sta barbara, aquela bela cidade, que os moradores faziam compras em mercados precários, com bosta de cavalo por toda parte. O perto de lá, era a distancia daqui. Em Sta. Barbara, Fredo morou anos com sua avó, mulher sorrateira nas perguntas certeiras, a complexidade das palavras de dona Tildes, deixará fredo mais esperto e atento com a literatura brejeira que estava por vir.
Passado algum tempo, Fredo não sossega em Sta barbara, se muda da cidade, ele quer cair, ele quer ser, ele quer se levantar.

Quando desembarca na cidade com diminutivo carinhoso, Fredo resolve realizar um sonho do pai, formar-se na universidade. O pai, austero e tecnicista, resolveu deixar seus sonhos de lado, preferiu ser o provedor padrão, alienado e católico. Fredo, com a alcunha dos ébrios e esquiadores de plantão, forma-se com louvor... e em pouco tempo, tornasse um dos maiores alcoólatras desta ilha.

Continua...